One Shot - The Feeling
O quanto eu serei capaz de resistir?
Seu meigo sorriso veio em minha direção como todos os dias. Vou confessar que já estava me acostumando com a triste situação de amar minha melhor amiga. Alguns perguntam: “E qual é o problema?” O problema? Bom, os problemas são que, eu sou estupidamente tímido e ela tem namorado. O segundo problema veio me atingir especificamente á duas semanas. O que explica a minha “virose” ou se preferir, o fato de que eu passei três dias sem vim á escola. Até que meu pequeno anjo me ligou desesperada querendo me ver. Isso foi como um remédio certeiro para minha “virose”. Ela já estava saltitando ao meu redor quando consegui desviar os olhos do sorriso dela e prestar atenção no que estava acontecendo em volta de mim. A Lu sempre ficava saltitando ao meu redor quando tinha uma ótima notícia. Ótima mesmo. O que me faz ficar ansioso pela notícia assim que ela chega perto de mim – não que eu não sinta a sensação de ansiedade quando ela está perto de mim porque bem, eu sinto muita coisa quando ela está perto de mim. ‘ Tenho uma notícia ‘ ela disse com um sorriso de orelha á orelha ‘É, eu percebi!’ eu disse rindo dela ‘Ai Ricardo para de rir de mim! É sério! Eu me candidatei para ser rainha do baile de primavera’. Ela fez uma cara como se estivesse esperando que eu começasse a gritar e pular com ela por aí, o que me fez rir ainda mais. ‘Poxa, é isso mesmo, é isso que um melhor amigo faz, ri da cara do outro!’ ‘É exatamente isso que um melhor amigo faz, porque só um melhor amigo pode rir da sua cara sem que você fique magoada!’ Ela sorriu, mas não foi o sorriso que sempre fica estampado em seu rosto. Foi um sorriso tão... Sincero, podia ver seus olhos brilhando, mas também havia um pouco de... Dor, eu acho. Preferi não tocar no assunto. Fomos até a sala conversando sobre a prova de álgebra e o filme que passou ontem á noite, até que seu namoradinho chegou e não desgrudou mais dela até o intervalo. Ele jogava futebol americano, acho que agora ele devia estar treinando ou algo parecido. Então, para aproveitar o tempo com minha princesa, eu a chamei para lanchar comigo. Andei pensando esses dias e, acho melhor eu tentar esquecer ela, porque toda vez que eu olho nos olhos dela eu me perco neles, e o sorriso dela, Ah, esse me faz viajar para outra dimensão, onde só existo eu e ela. Sem contar quando nós ficamos de mãos dadas, é como se correntes elétricas invadissem o meu corpo, minha pulsação fica tão acelerada que às vezes eu penso que meu coração vai sair pela boca. Sem contar ainda com o fato de que eu a desejo. Isso não é uma coisa muito agradável de ouvir de um melhor amigo, bem, espero que ela não pense dessa forma porque se ela pensar dessa maneira será o fim. Porque eu não sei até quando vou resistir a sua boca, seu corpo... Depois de alguns minutos de meu silêncio ela resolveu puxar assunto. ‘Então, no que você tanto pensa?’ Bem, não poderia haver assunto pior do que esse. Eu não poderia simplesmente dizer que estava pensando nela, vamos Ricardo, vamos pense em algo! ‘Eu estava pensando em quem levar para o baile de primavera!’ ‘Pensei que você não estivesse animado com o baile’ ‘Eu não estou animado com essa coisa de rainha do baile, para mim isso é perda de tempo’ ‘Isso porque você não entende nada de garotas!’ Ficamos em silêncio por um tempo. Uma rápida semana se passou, acompanhada de uma extremamente lenta semana depois. Até que estávamos uma semana antes do baile. ‘Já decidiu quem você vai para o baile?’ era só o que ela me perguntava, e ‘Não!’ era só o que eu respondia. Notei que era quarta-feira e o baile seria no sábado, eu não tinha nenhum par e nenhuma vontade de ver a Lu com o estúpido namorado dela dançando a noite toda. Decidi que não vou ao baile. ‘Já decidiu quem você vai levar para o baile?’ ‘Eu não vou ao baile Lu’ ‘Como assim?’ Ela disse surpreendentemente triste, pensei que ela iria me bater e depois ficaria tudo bem, mas não foi exatamente isso que ela pretendia fazer. ‘Só que eu não arranjei ninguém para me acompanhar’ ‘Isso não significa nada. Quero ver você aqui!’ Era sábado à tarde quando me peguei novamente pensando nela, isso tinha que acabar - esse sofrimento em vão. O que eu iria perder se contasse a ela que a amo? Sua amizade, bom, nós nem estamos nos falando tanto, não porque eu não queira, ela não sai mais do lado do estúpido namorado dela mesmo. E se ela sentisse o mesmo por mim? Bom, é óbvio que ela não sentia porque a Lu era o tipo de garota que fala o que sente, nunca demonstrou nenhum sinal de que gostasse de mim de outra maneira além de um amigo. Mesmo assim, mesmo ela não gostando de mim da mesma maneira que eu dela, eu não posso esconder isso, prefiro me arrepender de ter arriscado a ficar na dúvida de se poderia ter dado certo. Fui tomar um banho e me trocar. Eu iria ao baile. Olhei o relógio marcava 19h30min. Ainda dava tempo de desistir, mas agora, a última coisa que eu iria fazer era desistir. Logo que cheguei a vi deslumbrante em seu vestido rosa-bebê. ‘Oi’ ‘Você veio!’ ‘É’ Silencio. ‘Eu te amo’ ’Eu também te amo seu bobinho!’ ‘Não. Não desse jeito. Você não entende não é? Você não entende porque toda vez que agente briga eu vou atrás de você? Ou porque eu te ligo todos os dias pra saber como você está? Ou porque eu sempre enxugo suas lágrimas quando você chora por algum imbecil que te fez sofrer? Ou porque eu fico tão feliz ao seu lado? Ou...’ Ela me interrompeu. ‘Você também não percebe nada! Não percebe quando eu te ligo inventando as desculpas mais idiotas só pra que você me faça companhia, você também não percebe que eu fico inteiramente feliz ao seu lado e você também não percebe que eu estou apaixonada por você. Então cala a boca!’ Isso me deixou em choque por uns instantes até que a completa felicidade me inundou. Segurei sua cintura e coloquei seu corpo delicadamente mais perto do meu e a beijei. Depois disso, nada poderia estragar essa noite.
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